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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Falta de sustentabilidade do modelo econômico é tema central do Fórum Social Temático em Porto Alegre

Se em 2001, quando o Fórum Social Mundial (FSM) foi criado em contraponto ao Fórum Econômico de Davos, o neoliberalismo era o principal alvo da crítica dos que acreditavam em “um outro mundo possível”, atualmente é outra face do capitalismo que preocupa os altermundistas: a falta de sustentabilidade do modelo econômico. O tema será o centro dos debates do Fórum Social Temático (FST), que começou na terça - feira (24) em Porto Alegre.

O FST – cujo tema será Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental – deverá ser uma prévia da Cúpula dos Povos, encontro de movimentos sociais paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho.

Um dos pais do FSM Oded Grajew diz que a preocupação ambiental sempre esteve na agenda dos que queriam uma alternativa às idéias pregadas em Davos (sede do Fórum Econômico), e que ganhou força nos últimos onze anos.

“Desde o começo, a ideia era ter um modelo de desenvolvimento sustentável, em contraponto ao neoliberalismo. Em 2001, a palavra talvez não fosse essa, sustentabilidade, mas era esse o modelo. Um modelo que oferece um desenvolvimento sustentável, para todos e ao mesmo tempo, nas dimensões econômica, alimentar, social, cultural. Essa é a idéia desde o começo do FSM”, lembrou Grajew, em entrevista à Agência Brasil.

As crises financeiras de 2008 e a atual mostram que o modelo neoliberal tem falhado e que os defensores de Davos estavam errados, segundo Grajew, e fechar os olhos para a crise ambiental pode levar a consequências mais graves que a quebra de mercados. “Demos alertas sobre a crise financeira, os riscos, a falta de regulação e os neoliberais fecharam os olhos. É melhor prestar atenção para uma coisa que pode ser muita mais desastrosa”, avaliou.

Entre as preocupações ambientais que podem levar a uma crise ambiental estão o esgotamento dos recursos naturais, a insegurança alimentar, a crise energética e as mudanças climáticas.

No FST, ativistas vão tentar articular propostas alternativas às que serão apresentadas pelos governos na Rio+20. Segundo Grajew, o texto-base das negociações da conferência apenas tangencia os problemas, sem apontar soluções ou compromissos que apontem para mudanças significativas no atual padrão de desenvolvimento.

“É preciso uma mudança de abordagem: em nenhum momento está se apontando as questões do limite do planeta e de combater a desigualdade, se fala em pobreza, em uma visão muito filantrópica”, criticou.

O encontro dessa semana em Porto Alegre deverá manter a tradição do FSM de não divulgar uma posição única, mas, segundo Grajew, a expectativa é que ativistas de todo o mundo, inclusive representantes de movimentos como a Primavera Árabe, as manifestações estudantis chilenas, o Occupy Wall Street e os Indignados da Espanha se unam para cobrar desde já resultados mais efetivos da Rio+20.

“Tudo caminha para que a conferência seja um evento sem consequências práticas. É preciso haver comprometimento com metas numéricas relacionadas a mudanças no padrão energético, diminuição das desigualdades, conservação da biodiversidade, metas de redução de mortalidade infantil. Metas sociais, econômicas e ambientais, políticas que liberem governos do poder econômico, democratização das instituições multilaterais”, sugeriu.

Até domingo (29), cerca de 30 mil pessoas devem participar do FST, segundo estimativas da organização. A programação inclui mais de mil atividades em Porto Alegre e em mais três cidades da região metropolitana da capital gaúcha.
Fonte: jma

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fórum Social Mundial sediará debates ambientais em 2012

A principal atividade do Fórum Social Mundial de 2012 deve ocorrer em Porto Alegre quando será tratada a questão ambiental, debatendo modelos de desenvolvimento alternativos, baseados na sustentabilidade, preparando os movimentos sociais internacionais para a conferência Rio + 20, que se realiza em junho de 2012. O secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Marcelo Danéris, e o coordenador de Relações Internacionais, Tarson Nuñez, regresssaram ao Estado na madrugada de segunda-feira (14), após participarem da reunião do Comitê Internacional do Fórum, realizada no sábado (12), quando ofereceram aos organizadores apoio para o retorno do evento ao Rio Grande do Sul.

A decisão sobre onde ocorre o Fórum centralizado de 2013 será tomada em maio, em reunião do Comitê Internacional, na França. O Fórum contou com uma participação majoritariamente africana, com representantes do Egito e da Tunísia, países que hoje protagonizam amplas mobilizações pela democracia. Além dos representantes africanos, um grande número de ativistas da América Latina, Europa, Ásia e América do Norte participaram das atividades entre os dias 6 e 11, dia da renúncia do presidente egípcio. Uma das ações concretas desta edição foi o lançamento da Plataforma África-Europa por eleições livres e democráticas, que tem o objetivo de combater as ditaduras que persistem no continente. 

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