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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

FUMIN lança programa para ajudar empresas a gerenciar suas emissões de gases de efeito estufa

O Fundo Multilateral de Investimentos (FUMIN) do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), lançará programa para ajudar 200 pequenas e médias empresas a gerenciar suas emissões de gases de efeito estufa.

O projeto de US$ 2,8 milhões dará apoio técnico às PME para que elaborem inventários de emissões, apoiará as empresas participantes na identificação de oportunidades de negócios afins e ajudará a ABNT a credenciar-se como inspetor independente de emissões de gases de efeito estufa, em conformidade com normas e protocolos internacionalmente aceitos.

Até hoje, as iniciativas voluntárias de gestão de gases de efeito estufano Brasil têm envolvido apenas empresas de grande porte. Há poucos recursos disponíveis para auxiliar as PME na capacitação de pessoal e na implementação de sistemas de gestão de GEE. Além disso, não há organizações ou empresas brasileiras credenciadas como inspetores independentes de emissões de GEE para garantir a qualidade dos dados.

“Munidas de melhores ferramentas e capacidades, as PME brasileiras não ficarão mais à margem da crescente economia verde da região”, observou Zachary Levey, chefe da equipe do projeto no FUMIN.

O Brasil é considerado um líder global em ações relacionadas com mudança climática e sustentabilidade. Em 1992 o país sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD ou Cúpula da Terra do Rio), no Rio de Janeiro, quando foi assinada a Convenção-Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUMC). Em junho de 2012, o Brasil sediará a Cúpula Rio+20.

O projeto será executado pela ABNT, entidade sem fins lucrativos criada em 1940 para desenvolver normas técnicas no Brasil. Membro fundador da Organização Internacional de Normalização, a ABNT tem vasta experiência na implementação de sistemas de gestão de qualidade, sistemas de gestão ambiental e vários esquemas de certificação de produtos para PME.

Sobre o FUMIN – Criado em 1993 como parte do grupo BID, o Fundo Multilateral de Investimentos desenvolve abordagens efetivas para apoiar o crescimento econômico e a redução da pobreza por meio de ações de desenvolvimento capitaneadas pelo setor privado para o apoio a micro, pequenas e médias empresas, beneficiando os pobres – seus negócios, suas propriedades agrícolas e seus domicílios. (Informações do BID.
Fonte: Ambiente Energia

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cidades não estão prontas para as mudanças climáticas

ONU alerta que o atual modelo de urbanização está em rota de colisão com o clima e que se os governos não agirem rapidamente o aquecimento global poderá fazer com que 200 milhões de pessoas fiquem desabrigadas até 2050.

Se os cálculos das emissões de gases do efeito estufa das cidades englobarem processos como o consumo e geração de energia, os transportes e a produção industrial, as áreas urbanas aparecerão como as grandes vilãs mundiais, ficando responsáveis por 70% das emissões sendo que ocupam apenas 2% do território do planeta. É justamente como protagonistas das mudanças climáticas que o relatório Cities and Climate Change: Global Report on Human Settlements 2011 (Cidades e Mudanças Climáticas: Relatório Global sobre as Ocupações Humanas 2011) apresenta as cidades. Produzido pelo UN-Habitat, programa da ONU direcionado para promover o desenvolvimento social e ambiental das cidades, o documento afirma que o modelo atual de urbanização está seguindo um rumo de alto risco devido às transformações no clima.

“Nas próximas décadas, as mudanças climáticas irão fazer com que centenas de milhões de pessoas, na sua maioria as mais pobres e marginalizadas, fiquem cada vez mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra e outros desastres naturais. Esta é a previsão que fazemos baseados na melhor ciência que temos disponível”, alerta Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, no prefácio do relatório. Segundo dados da ONU, 59% da população mundial habitará áreas urbanas até 2030, sendo que a cada ano mais 67 milhões de pessoas passam a viver em cidades.

Esse cenário pode ainda ser alterado, pois o lado positivo das cidades serem responsáveis por 70% das emissões é que ações vigorosas bem direcionadas podem surtir um grande efeito. “O nosso relatório procura disseminar o conhecimento e contribuir para que as cidades consigam mitigar o aquecimento global e se adaptar às mudanças climáticas. Além disso, identificamos medidas já existentes e que podem ser replicadas em mais locais”, explicou Joan Clos, diretor executivo do UN-Habitat.

Entre essas políticas o relatório destaca, por exemplo, a cobrança de pedágio para a circulação de veículos privados nos centros das grandes metrópoles européias. Além de reduzir as emissões e melhorar a mobilidade urbana, os recursos adquiridos podem ser destinados para ações sustentáveis. Outra medida citada é a reforma de prédios públicos e a obrigatoriedade de adoção de padrões de eficiência energética para novas construções.

Com relação à adaptação às mudanças climáticas que já são irreversíveis, o UN-Habitat recomenda algumas normas simples principalmente para a construção de casas populares em países em desenvolvimento. Melhores fundações, aterramento mais elevado e colocação de plataformas sob os móveis são medidas simples que podem evitar com que as pessoas percam tudo o que possuem em cada enchente. Nosso relatório pode ajudar neste sentido, divulgando as melhores práticas já existentes e facilitando o intercâmbio de informações. É fundamental que as cidades percebam o quão importante é o papel delas para combater as mudanças climáticas”, concluiu Joan Clos.
Foto: Carbono Brasil

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