segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Governo considera boa a diminuição do consumo de energia no horário de verão

Apesar de ter apresentado um consumo de energia maior que no ano anterior, o resultado do horário de verão deste ano foi considerado “altamente positivo” pelo governo. A redução foi de 2.376 megawatts (MW), no horário de pico, ante 2.587 MW do período anterior. Os resultados foram debatidos hoje (24), durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

“Duzentos megawatts a menos em uma conta de 71 mil MW é uma diferença desprezível”, avalia o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, comparando a diferença da redução do consumo com a demanda total por eletricidade do país. Segundo Chipp, o aumento no consumo em relação ao horário de verão anterior pode ter sido causado pela mudança de hábito dos brasileiros, especialmente das classes C e D, que, com mais aparelhos eletrônicos, acabam ficando mais tempo em casa.

De acordo com o ONS, o horário de verão, que vigorou de 17 de outubro a 20 de fevereiro, resultou em uma redução de 4,4% na demanda de energia no horário de pico, nas regiões onde o sistema foi adotado. No ano passado, a diminuição foi de 4,7% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 4,8%, na Região Sul. A economia da geração térmica evitada com a adoção do horário de verão foi estimada em R$ 30 milhões.

Diminui população de botos-vermelhos no Amazonas

A população de botos-vermelhos na região de Tefé, interior do Amazonas, caiu 10% na última década. A informação é de Nívia do Carmo, pesquisadora do Projeto Boto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e presidente da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa). A causa da diminuição pode ser a captura predatória de botos-vermelhos para serem usados como isca na pesca da piracatinga (espécie de peixe necrófago – que come carniça de animais mortos), de porte médio, podendo medir até 45 centímetros (cm). O peixe é muito abundante na região amazônica e consumido em larga escala pelos colombianos.

Os estudos são realizados, desde 1993, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – distante de Manaus cerca de 700 quilômetros (km). Em outubro e novembro do ano passado, pesquisadores do Inpa percorreram as comunidades em torno de Tefé. Durante a excursão, eles constataram que a caça dos botos é constante e tratada de forma natural pelos moradores, embora tenham consciência de que a pesca ou caça de animais silvestres é crime ambiental. A Colômbia é um grande apreciador de peixes Siluriformes (peixes lisos ou de couro) da Amazônia brasileira e a pesca da piracatinga se torna uma atividade lucrativa para os ribeirinhos que habitam essas localidades.

Sistema de alerta de desastres deve começar no inverno

O sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais, que será criado pelo governo federal, já deverá começar a funcionar, em caráter experimental, no próximo inverno, para prevenir catástrofes com chuvas no leste e nordeste do país. A afirmação foi feita hoje (25) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Segundo o ministro, o sistema funcionará, em um primeiro momento, com a integração de sistemas de monitoramento do clima já existentes, como os radares da Aeronáutica, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em seguida, o governo avaliará que equipamentos serão comprados para complementar o sistema.

O sistema será controlado de uma sala de operações, cuja base ainda não foi definida e poderá ficar em Brasília ou em São Paulo. A partir da previsão de chuvas intensas, o sistema nacional, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, divulgará alertas para as áreas que podem ser afetadas. A mobilização das cidades ficará por conta do Sistema Nacional de Defesa Civil, que poderá fazer uso de sirenes. Segundo o ministro, a sala de operações será 24 horas e contará com uma equipe de quatro profissionais: um meteorologista, um especialista em desastres naturais, um hidrólogo e um geólogo. Para compor os turnos, serão necessárias 30 pessoas.

A ideia é que, no próximo verão, o sistema de alerta já esteja cobrindo todo o território nacional. Mas, segundo Mercadante, o sistema só estará funcionando plenamente depois de um levantamento geofísico das cidades brasileiras, que pode durar anos. “O ponto mais difícil é o levantamento geofísico, que depende do trabalho de geólogos. Poucas cidades brasileiras estão bem mapeadas”, disse o ministro, em visita ao Rio.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Consumo de energia no Brasil cresce 6,5% em janeiro, diz EPE

O consumo de energia elétrica do Brasil cresceu 6,5% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, para 35.812 gigawatts-hora (GWh), informou nesta quinta-feira a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No acumulado de 12 meses, o crescimento registrado foi de 7,6% ante os 12 meses anteriores. Em 2010, a empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia registrou aumento no consumo de 7,8%.

"Os dados consolidados indicam taxas de crescimento expressivas em todos os segmentos", disse a EPE, em nota. "A dinâmica do consumo industrial sugere estabilização e acomodação das taxas de crescimento, uma vez absorvidos os efeitos da crise e da recuperação subsequente sobre as estatísticas. No mês passado, o crescimento do consumo industrial foi de 6,6%, para 14.632 GWh, o que, segundo a empresa, evidencia a consolidação da recuperação da produção industrial nacional. O consumo residencial de energia, por sua vez, cresceu 6,5% em janeiro na comparação anual, para 9.834 GWh. O consumo médio mensal de cada consumidor foi determinado em 157 quilowatts-hora (kWh), 2,6 superior do que o observado há 12 meses.

Já o setor de comércio e serviços, afirmou a EPE, mostrou amento de 7% no consumo no mês passado, para 6.254 GWh. "É resultado coerente com as estatísticas do IBGE, que dão conta de crescimento, em 2010, de 10,9% da atividade comercial e de 24,1% na venda de 'equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação'".  A empresa destacou ainda a movimentação de passageiros nos aeroportos brasileiros, que "é bom indicador do aquecimento do turismo, de negócios ou de lazer, o que repercute no consumo de energia do setor de comércio e serviços". Fonte: Reuters News

Eleição para Câmara Federal de Compensação Ambiental

Hoje, às 16h, será realizada a reunião pública para apurar os votos da eleição das entidades ambientalistas que ocuparão a vaga destinada às organizações não-governamentais na Câmara Federal de Compensação Ambiental (CFCA) para o biênio 2011/ 2012. A primeira colocada no processo eleitoral ocupará a vaga na Câmara como titular e a segunda como suplente. A reunião acontecerá no auditório do Ed. Marie Prendie Cruz, na 505 Norte, em Brasília.

A apuração será iniciada pelo secretário de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Bráulio Dias, primeiramente com a contagem dos votos registrados em cédulas de papel, que foram encaminhadas via postal. Em seguida, serão apurados os votos eletrônicos. A reunião será aberta ao público e, quem tiver interesse, também poderá acompanhar a apuração dos votos pela internet, diretamente pelo endereço http://video.cnrh.gov.br/video_stream/.

Câmara Federal - A CFCA é instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente e, entre outros objetivos, tem a missão de estabelecer diretrizes para aplicação da compensação, decorrentes do licenciamento federal dos empreendimentos com significativo impacto ambiental. De acordo com o diretor da Secretaria Executiva do MMA, Roberto Suarez, é fundamental a participação dos diversos atores da sociedade na Câmara para reavaliar esses processos de valoração da compensação ambiental. "Quanto mais participativo, democrático e transparente for o debate, mais aceito, legítimo e efetivo será o processo", afirma.

Votação - Das 552 entidades ambientalistas cadastradas regularmente há pelo menos um ano no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas (CNEA), dez se candidataram à votação, que aconteceu entre 7 e 20 de fevereiro. As entidades ambientalistas eleitas assumirão o compromisso de respeitar a Carta de Princípios das Entidades Ambientalistas Representantes do CNEA em Órgãos Colegiados e apresentar a documentação prevista na Portaria 10, de 12 de janeiro de 2011 até dia 16 de março, quando será realizada a segunda reunião ordinária da Câmara Federal de Compensação Ambiental.
Fonte: MMA

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“A poluição mata mais em São Paulo que AIDS e tuberculose somadas”

No Brasil, 80% da população está nas áreas urbanas, mas os efeitos da falta de políticas ambientais e do crescimento desordenado das metrópoles na saúde dos seus habitantes ainda são pouco discutidos. Tentando mudar essa realidade, o Instituto Saúde e Sustentabilidade lança o livro Saúde e Meio Ambiente: o desafio das metrópoles. O Ecocidades conversou sobre esse assunto com o coordenador da obra, Paulo Saldiva, professor titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e membro do Comitê da OMS que definiu os novos padrões de qualidade do ar. Na área metropolitana de São Paulo, estima-se um excesso de 7 mil mortes por ano decorrentes de problemas causados pela poluição do ar – número maior do que os de AIDS e tuberculose somados. O livro será lançado nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, em São Paulo*.

Como surgiu a ideia de lançar o livro?
Esse projeto do Instituto Saúde e Sustentabilidade pretende reunir em um só lugar informações de múltiplas fontes, para permitir às pessoas se inteirarem sobre o tema. A ideia era pegar os milhares de trabalhos científicos que se estudam o efeito das condições de vida nas megacidades sobre a saúde. Isso engloba falar sobre ilhas de calor, o perigo de morar em regiões com riscos de inundações e deslizamentos e a política de formar cidades cada vez menos compactas – o que obriga a construção de uma enorme infraestrutura de mobilidade e de fornecimento de água e esgoto.

Nesse trabalho são abordados problemas principalmente de São Paulo. Por quê?
Nós escolhemos São Paulo primeiro por ser uma megalópole que teve um crescimento desordenado e, segundo, por contarmos com bom um banco de dados sobre ela. Cada grande cidade tem seu diagnóstico particular e complexo. Aqui a velocidade do trânsito é baixa, as ilhas de calor estão preservadas, o nível de poluição está demonstrado. Todo mundo sabe o que faz mal e o remédio não é tomado. Depois, gostamos de São Paulo e queremos melhorá-la. É muito fácil gostar da Gisele Bündchen, ela não precisa nem abrir a boca… O duro é você gostar de São Paulo, que tem muito problemas e nenhuma beleza natural evidente.

Se o remédio é conhecido, por que não é usado?
Os interesses econômicos dentro da cidade de São Paulo são muito poderosos. É o lugar onde um quarto do combustível do Brasil é vendido, é onde se encontram as sedes dos maiores grupos financeiros e é onde, digamos, a polêmica entre a aparente divisão entre desenvolvimento e sustentabilidade ocorre com maior intensidade. Existem soluções para tudo, você pode facilmente colocar combustível limpo na frota de São Paulo. Ou poderíamos pegar a Avenida Paulista e dividi-la em duas metades, com corredores exclusivos para ônibus, como fez o prefeito de Bogotá. Mas também existe um problema cultural. As pessoas ainda estão esperando uma solução milagrosa, uma solução tecnológica. E sozinha a solução tecnológica não vai resolver. É preciso mudar hábitos.

Qual é a magnitude do problema da poluição do ar?
No Brasil, de modo geral, está melhor porque houve melhoria tecnológica. Mas em algumas áreas piorou. É o caso do campo, por conta das queimadas, uso intensivo de pesticidas e, também, por menor fiscalização. Nas grandes cidades tende a melhorar, mas ela ainda é suficiente para causar problemas. Estima-se um excesso de 7 mil mortes ao ano na região metropolitana de São Paulo e  4 mil na capital. Esse número é maior do que os de AIDS e tuberculose somados, que são considerados problemas de saúde pública. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que, entre as causas evitáveis, a poluição do ar mata mais do que cigarro. Embora o cigarro seja muito pior do que a poluição do ar, o seu risco se aplica apenas aos fumantes, enquanto a poluição atinge a todos.

Como a poluição afeta a saúde do indivíduo?
A poluição do ar age da mesma maneira que o cigarro, só que em menor escala. Causa e piora doenças respiratórias, causa câncer de pulmão, doenças coronarianas e aumenta o número de partos prematuros…. A diferença é que quando você põe todo mundo para respirar ar poluído, você aumenta o número de vulneráveis. A poluição do ar é a mais democrática das poluições. No caso da água contaminada, você só é afetado por contato direto. É possível comprar água engarrafada ou ter uma estação de tratamento. Não existe uma estação de tratamento do ar, nós temos que lidar com o ar que nós temos.

O que o paulistano deve fazer para se proteger?
Os cuidados que cada um pode tomar vão depender da sua condição financeira. Do ponto de vista da exposição, é recomendado evitar os horários de pico e minimizar o seu tempo de permanência nos corredores de tráfego. Mas se o indivíduo bate ponto fica meio difícil. O que se pode fazer é praticar um pouco mais de exercício físico, que é anti-inflamatório e melhora as defesas contra a poluição. Também é bom beber mais água, porque tanto a parte respiratória quanto a cardiovascular se beneficiam da hidratação. Em relação à alimentação, deve-se ingerir frutas e tudo o que envolve betacaroteno e vitamina E. Há estudos mostrando que crianças e adultos adeptos a uma dieta rica em antioxidantes naturais mantêm uma saúde melhor.

Quanto tempo de vida pode perder uma pessoa que mora em São Paulo?
Ela pode sofrer uma redução de mais ou menos 9 a 10 meses para cada 10 microgramas de material particulado fino inalado. Isso significa que a expectativa de vida em São Paulo aumentaria em um ano e meio caso a gente tivesse a poluição de Recife, por exemplo.

E qual é o impacto que a poluição do ar no orçamento público destinado à saúde?
Na cidade de São Paulo a poluição do ar custa, considerando as internações no SUS, de 180 a 200 milhões de reais por ano. Se multiplicar esse valor por três, ou seja, cerca de 600 milhões de reais, você chega ao número do SUS somado ao das redes conveniadas. Se contabilizar a mortalidade precoce, que contabiliza a perda do valor de anos produtivos, esse custo ultrapassa 2,5 bilhões de reais. A conta que se faz é que, no nível em que estamos hoje – de poluição intermediária –, para cada real investido em controle de poluição você economiza de R$7 a 8 em gastos de saúde nos cinco anos subsequentes. Não existe nenhum investimento público hoje com taxa de retorno tão alta. Defendemos igualmente que esse enorme custo da poluição, hoje pago por todos, deveria ser pago por quem polui. Agora, não adianta ficar só apelando para a responsabilidade social e ambiental das empresas. O compromisso delas é diferente, é com o lucro. Ninguém vai prejudicar os seus acionistas em nome de uma causa ambiental vaga.

Que tipo de medidas de curto prazo podem ser tomadas para melhorar a situação da cidade?
Embora com atraso, algumas já começaram, como a expansão da malha do metrô. É possível investir em transporte público de qualidade e na criação de corredores de ônibus. O governo municipal já proibiu, a partir de 2018, sua frota de utilizar combustíveis fósseis. Houve um avanço grande recente, mas ele foi circunstancial, porque o Secretário Municipal do Meio Ambiente é médico. Assim, certas providências não foram fruto de um diálogo institucional, mas de um feliz acaso. E boa política pública, de longo prazo, não se faz a partir de acasos felizes.

Investimentos mundiais em energia limpa devem crescer em 2011, diz ONU

Espera-se que Brasil, China e Índia incentivem os investimentos mundiais em energia limpa em 2011, que podem chegar a US$240 bilhões, afirmou o diretor da Iniciativa Economia Verde das Nações Unidas na quarta-feira (23). A unidade ambiental da ONU (PNUMA) disse que investimentos em energia renovável atingiram entre US$180 a US$200 bilhões em 2010 em relação aos US$162 milhões em 2009, conduzidos pelos três países.

O aumento dos investimentos ocorreu devido à força que a energia sustentável está ganhando na busca dos governos por fontes energéticas mais baratas – como a solar, a eólica e o etanol – para reduzir o impacto causado pela ascensão dos preços do petróleo. “Os investimentos podem chegar perto dos US$240 bilhões em energia limpa, incluindo eficiência energética e energia renovável”, admitiu Pavan Sukhdev, diretor da Iniciativa Economia Verde do PNUMA.

As Nações Unidas afirmaram que a transformação dos suprimentos energéticos em alternativas mais verdes necessita de mais de US$360 bilhões anualmente. Os efeitos prejudiciais das mudanças climáticas forçaram países a procurar meios de cortar emissões de gases e encorajar sistemas mais ecológicos, disse Sukhdev à Reuters. O diretor assegurou que a Nações Unidas tiveram o auxílio da União Europeia para ajudar sete países africanos – incluindo o Quênia, a África do Sul e o Burquina Fasso – a formular políticas que poderiam possibilitar a transição para uma economia verde. 
Fonte: Reuters

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